domingo, 7 de agosto de 2016

O amor pediu as contas

Somos tão perfeitos e tão independentes e tão cheios de certeza. Pobres coitados, é tudo o que digo sobre nós mesmos. Sabemos tanto sobre o que ainda não foi explicado, pensamos tanto sermos capazes de nos valer nas desgraças que ainda não vivemos, superamos qualquer coisa tão facilmente, ou assim cremos. Pobre de nós. Pobres coitados, nos diz a vida com uma rasteira bem dada. Pensamos saber tudo sobre o amor. De tão estúpidos, até tentamos dominá-lo. Meu Deus. Quanta estupidez! Tentamos mesmo defini-lo, a impressão que tenho é que ele simplesmente ri pelas nossas costas. Ou seria bem na nossa cara, a mesma cara de idiotas que fazemos quando pensamos, que sabemos tudo sobre o  amor. Não precisamos de nada além de nossos troféus, e de nossos egos gigantes, e de nossos amores efêmeros. Nada parece nos atingir, pensamos. A verdade é que estamos todos fodidos. A verdade, a triste verdade que não contamos nem ao nosso travesseiro, é que só queremos um beijo caloroso, transas e carícias depois de um dia difícil. A verdade é que só queremos alguém que nos compreenda e nos ame, mesmo que um pouco, sem julgar os nossos tantos defeitos inconfessáveis. A verdade é que queremos que a vida nos trate como nem nós mesmos nos tratamos. Meu Deus. Quanta estupidez! Só queremos um pouco de sentido nessa selva de pedra onde vivemos. Queremos a simplicidade, é verdade, aquela que tão pura e casta dispensa floreios. Nós queremos ser entendidos e queremos entender o outro, mas isso dá muito trabalho, e pra ser sincero, não somos uma geração tão dada a tarefas trabalhosas.


Veja como é simplesmente ridícula a nossa cegueira sobre o amor. Queremos amores tão fáceis quanto escolher um filme no NETFLIX, ou escolher um livro, que nos roube um pouco de toda essa loucura, mas tolos somos nós, o amor não é fácil. E quando falamos de amor, estamos falando na verdade, do que nós estamos fazendo do amor. Simplesmente nós depositamos nele todas as nossas merdas, as nossas fraquezas, o nosso ego, a nossa vontade estúpida de manter o controle sobre absolutamente tudo. A verdade é que nós conseguimos, o amor apodreceu, está podre. O amor pediu as contas. O amor cansou dessas nossas certezas inúteis, e da nossa resistência, e de toda essa irritante falta de entrega. O amor está cansado de nossas inseguranças, e nos trancou elas em nosso próprio vazio. Simplesmente nós já não sabemos enxergá-lo. A gente só queria se proteger, é verdade, mas o amor, não nos compreende. Esse permanece tímido, encurralado, a salvo de toda a nossa podridão egoísta. Já não podemos alcançá-lo. Lembra? Nós nos bastamos. E agora, o que diabos faremos com tanta autossuficiência? Saiba que ninguém lida bem com o fim do amor. Nem mesmo um Buda saberia se despedir sem sofrer, muito menos você, que é um Ser humano.

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8 comentários:

  1. Como sempre, uma perfeita visão sobre esse sentimento. Você expressa com maestria coisas que acontecem a todo o tempo e nós sentimos mas não nos damos conta.

    Belíssima mensagem!

    Abraços!

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  2. Bom, acho que eu sou uma das pessoas que tenta explicar o que é o Amor, quando na verdade é tão inexplicável! Eu amei o texto, você escreve muito bem, ainda estou refletindo em suas palavras..
    Abraço ❤
    Jardim de Palavras

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    1. Obrigado Melissa! Eu até hoje venho tentando explicar esse sentimento com palavras, mas chego à conclusão que é impossível, explicar com palavras. Que bom que o texto tenha feito você refletir. O objetivo está sendo alcançado. Grato pela visita e um forte abraço!

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  3. Muito interessante seu texto! Ás vezes sinto que a simples certeza que temos das coisas nos inutiliza diante da grandeza de nossas fraqueza. Será que somos aquilo que queremos ou simplesmente aquilo que nos tornaram? Vivemos a todo momento atrás das cortinas sem darmos a mão a palmatória e admitirmos de fato o que queremos, com medo do que essa liberdade descoberta nos levará. Quantas vezes iludidos por uma miragem, percebemos que o melhor era ter estados quietos em nosso canto? Mas, se assim for não vivemos, e não experimentamos, mas existem aqueles que de fato ama e deixa claro seus desejos e vontades, é um erro? Pode ser para alguns, mas é mais feliz quem assim faz. Mas isso também é passageiro, e quando imaginamos estar satisfeito com o que temos, vem esse sentimento e nos tira da zona de conforto, e você precisa decidir, seguir o instinto mais primitivo que é se jogar, ou apenas deixar esse sentimento passar e você tristemente admitir mais tarde, que não viveu, não experimentou enfim, não se permitiu tal sensação.
    Penso que está em nossas mãos o poder de fazer as escolhas, mas ainda assim não escolhemos por nós, pois é muito mais fácil culpar alguém de nossos erros do que a nós mesmos.
    Belo texto. Parabéns!

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    1. É bem por aí mesmo Geane! A todo momento eu me questiono, sobre as questões do amor e sobre tudo que nos cerca. E a cada dia, me certifico que a mim me parece que os seres humanos são aquilo que os tornaram, sendo que dificilmente é aquilo que ele quer ser de fato. Compreendes Geane, e as escolhas que fazemos durante a nossa vida, elas sim podem mudar o destino de tal. Forte abraço!

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  4. Como você escreve bem!
    "Saiba que ninguém lida bem com o fim do amor', bem assim mesmo.
    Você escreveu exatamente o que eu precisava ler nesse texto, incrível.
    Já tentei explicar o amor, mas desisti, é inexplicável mesmo.
    Beijos!
    Lost Words

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    1. Obrigado pelo elogio Aline. É bem provável que nenhum Ser humano o faça. Eu já desisti. Beijo!

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd