domingo, 20 de março de 2016

Resenhando: ''Misery'', de Stephen King

Olá amigos, hoje venho compartilhar com vocês as minhas observações sobre a obra ''Misery'' do autor Stephen King. Eu ganhei este livro de presente da querida amiga Luciana Souza no meu aniversário e já estava louco para lê-lo, porém, só pude fazer isto por esses dias. Agradeço novamente a Luh pelo presente maravilhoso. Sou fã desse mestre da literatura mundial e poder ter essa obra em minha coleção é grandioso. Vamos lá então? 


Título: Misery
Autor: Stephen King
Publicação: 2014
Editora: Objetiva
Gênero: Literatura Estrangeira - Romance
Páginas: 326


Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 


O livro em questão apresenta já nas primeiras páginas um ar emocional bem elevado. O leitor é colocado de frente com os transtornos mentais de Annie. O choque psicológico que Paul sente após sofrer o acidente e virar prisioneiro de Annie, é forte. O enredo é bem real e envolvente, apesar de em grande parte do tempo ser meio repetitivo. Mas tudo começa de maneira interessante com o relato sobre o acidente de Paul em seu Camaro 74. Logo em seguida, o leitor é conduzido às explicações sobre o nome Misery e passa a entender melhor o sentido e título da obra. King foi mais objetivo neste livro mas não perdeu sua qualidade em descrever bem os acontecimentos. É possível notar que ele escreveu de forma mais proposital, querendo chegar tão logo ao ponto xis da questão. Sua escrita está novamente maravilhosa e bem caracterizada. A ''pegada'' do livro é bem avassaladora.

A parte gráfica do livro é muito bonita.

Desde os primeiros diálogos já era possível notar o índice de loucura na mente de Annie. Sem querer julgá-la, seu comportamento já era muito satisfatório para evidenciar as características precisas de uma pessoa obsessiva. Ela mostrou-se uma verdadeira psicopata durante toda a história, agindo de forma irregular e anti-social. A ausência de sentimentos, a frieza, a falta de sensibilidade e a ausência de culpa em seus atos cruéis fizeram de Annie, uma perfeita vilã. Mais à frente, tudo fica bem explicadinho sobre sua personalidade e o leitor entende o porquê de suas ações. É claro que, aqui, em ''Misery'', Paul é somente o coadjuvante, o ''objeto'' ambicionado por Annie. O desenvolvimento da história foi escrito de maneira adequada, embora fosse possível empregar mais situações pelo meio do romance.

''Os olhos dela também brilhavam. quando ela se inclinou e tocou levemente os lábios dele. Ele sentiu algo no hálito dela, algo vindo das câmaras sombrias e azedas dentro dela, algo que cheirava a peixe morto. Era mesmo pior que o gosto/cheiro do trapo. Fez com que ele se lembrasse do hálito azedo.''

As mensagens expostas em ''Misery'' são de suma importância social e psíquica, demonstrando históricos traumáticos, disfunções cerebrais, biológicos e neurológicos. O leitor mais atento pode considerar situações como abusos emocionais, sexuais, físicos, violência, conflitos familiares, negligências, etc. Realmente é possível analisar a capacidade de manipulação da personagem Annie na história. King foi novamente um mestre em expor mensagens tão existenciais na sociedade. A dependência em analgésicos também é fragmento visível em ''Misery''. Sendo assim, o subtitulo ''Louca Obsessão'' pode ser compreendido de diversas maneiras considerando fontes de mensagens semelhantes e precisas.

''(...) Ele surrupiara uma das caixas de amostra e lera a bula inteira, embora pudesse ter parado de ler já ao consultar qual o principal ingrediente do Novril: C-O-D-E-Í-N-A.''
Foi uma leitura rápida, com bons argumentos sobre o tema e de muita importância.
O mundo apresentado por King é um terror psicológico de alto nível. Tudo começa a ficar melhor para quem lê e pior para Paul nos momentos mais próximos do término. Confesso que eu me surpreendi muito mais quando cheguei nesses trechos. Achei muito reprisado certos pontos da história, e algumas vezes pensei que Stephen King não fosse conturbar mais ainda os nossos sentimentos. Mas me enganei profundamente. As atitudes de Annie ficam cada vez piores. O índice de agressão física aumenta consideravelmente. Percebi de verdade o prazer de Annie em suas ações. É como o prazer de um chocólatra ao comer um chocolate. Comecei a me sentir mais atraído e satisfeito. As descobertas de Paul sobre o passado de Annie o deixaram apavorado e foram importantíssimas para o romance. O livro é muito bom. 
Tudo fica ainda mais interessante a partir de certo momento.
A leitura é fluente, não há como cansar a mente lendo ''Misery''.

A todo momento perguntas ficam no ar: ''Como Paul vai sair dessa?'', ''O que Paul vai fazer agora?''... ''E Annie, qual será sua próxima ação?''. Às vezes, me perguntei se seria mesmo possível uma fã psicopata manter preso por tanto tempo o seu escritor favorito. Talvez eu não tenha encontrado uma resposta adequada ou exata para essa questão, mas tenho certeza de que ficção ou não, tudo foi narrado de forma grande e precisa. Com certeza, o psicológico de Paul Sheldon também é alterado após tanto sofrimento. Em muitos momentos ele está conturbado e entende-se que isso acontece devido aos reflexos da crueldade de Annie. No momento em que ele passa a escrever a obra prima que ela tanto sonhava somente para ela, o famoso escritor, apesar de encontrar neste ato a sua área de desoprimimento emocional, viu-se obrigado a escrever a história perfeita para sua fã número um, exigente demais.

''Eu achei que você era bom, disse a máquina. A mente de Paul a dotara de uma voz desdenhosa, mas imatura, a voz de um pistoleiro adolescente em um bangue-bangue de Hollywood, um furi querendo fazer fama na cidade. Você não é tão bom assim. Porra, não consegue nem agradar uma ex-enfermeira obesa. Talvez seu osso de escrever tenha fraturado na batida também... mas ele não está sarando...''
''Eu não sei se Deus vai ajudar ou atrapalhar, mas sei de uma coisa: Se você não der um jeito de ressuscitar Misery  de um modo que Annie possa acreditar, ela vai matar você.''
O livro faz o leitor sentir-se, às vezes, bem reflexivo e espantado.
Escrever 'O Retorno de Misery' foi na verdade uma terapia para Paul expor seus medos e aliviar-se do momento de terror que passava com o encarceramento. Mostrar ao leitor o livro que Paul escrevia durante o que passava enquanto estava sob o domínio de sua fã, foi interessante demais. Na verdade, gostei da ideia de um livro dentro de outro livro. Muito bom!
Algumas letras no livro são escritas em formas manuais. Gostei, isso faz todo o sentido. Quando vocês lerem, saberão o porquê.
''Sons de gente arranhando, senhor! Parece que ela ainda está viva lá embaixo tentando voltar pro mundo dos vivos!''

Muitos fãs afirmam que ''Misery'' é a melhor obra de King por ser tão avassaladora e realista, reforçando a ideia de sentimentos e acontecimentos comumente sentidos e presenciados não somente no mundo dos famosos mas também na sociedade, revelando aspectos ainda não totalmente conhecidos de indivíduos psicopatas.

Enfim, Stephen King demonstrou sua habilidade extraordinária de novo e embora particularmente aprecie mais as suas histórias de terror sobrenatural, o livro ''Misery'' não apresenta ''furos'' no enredo e é bem linear, coerente e real. O final é muito bom! Quando puderem, leiam. Se quiserem, tenham em suas coleções. Classifico com 5 estrelas. 


''(...) Nunca foi por você, Annie... Na hora em que a gente começa a escrever, essas pessoas estão do outro lado da galáxia. Nunca foi para minhas ex-esposas. ou minha mãe, ou meu pai. O motivo de os autores quase sempre colocarem dedicatórias em livros, Annie, é que o egoísmo deles no final horroriza até eles próprios.''

Espero que tenham curtido as observações sobre essa obra do King. 

Um abraço a todos e até a próxima.


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10 comentários:

  1. Belíssima resenha Leonardo! Tenho certeza que o senhor King se lesse essa resenha, ele iria adorar.Abraço.

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    1. Valeu Luciano. Seria uma honra ser lido por King, que admiro tanto.

      Obrigado pelo elogio.

      Um abraço.

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    2. Uau! Comportamento humano? Adoro. Realmente preciso ler esse livro, muito interessante. Como sempre você nos apresentou um livro de forma a nos instigar. Belíssima resenha, parabéns!!

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    3. Obrigado Geh. Sim, comportamento humano, o livro é show!

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  2. Oi, Leo!
    Achei incrível a ressenha. Amo livros que se desenvolvem facilmente e que mechem com o psico das pessoas!
    http://blogmichaelvasconcelos.blogspot.com.br/

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    1. Valeu Michael, muito bom saber tua opinião, obrigado. Também gosto de histórias que se desenvolvem facilmente. Pra quem é fã desse gênero, o livro é perfeito.

      Abraços.

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  3. Nossa Léo que livro incrível não seio que estou fazendo que ainda não li KING. Tenho vários livros dele mas não li nenhum. Preciso começar logo.
    Resenha fabulosa. Parabéns e beijos!!!

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    1. Obrigado pelo elogio, Luciana. Não perca tempo, vá ler o tio King, há mensagens interessantes.

      Beijos.

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  4. Estou lendo Misery nesse exato momento. É uma obra que te prende e te faz imaginar qual será o passo seguinte de Anne. Parabéns pela resenha.

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  5. Obrigado Érica!

    A obra é muito boa, e te prende mesmo. As coisas ficam ainda melhores pro final.

    \m/

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