terça-feira, 15 de março de 2016

''Luzes Acesas'', um dos contos de ''Loui, O Palhaço Medonho''

Olá meus amigos, hoje Matheuz e eu viemos aqui para falar um pouquinho da nossa obra. Para quem tinha o desejo de ler algum dos contos do livro ''Loui, O Palhaço Medonho & Outros Contos Sombrios'' escrito por ele e eu, decidimos disponibilizar aqui no #ML um dos contos que compõe a obra publicada no dia 31 de outubro de 2015. O livro segue uma linha diversificada de estilos, unindo linguagens diferentes nos contos. Uns são mais perversos, outros mais sangrentos... e enquanto alguns tentam fazer o leitor sentir medo do sobrenatural, outros acentuam o pavor psicológico. O conto ''Luzes Acesas'' que está disponibilizado abaixo, narra um assassinato rápido e saboroso. Loui ainda está cheio de façanhas. Esperamos que gostem dessa surpresa. Ao término, fiquem à vontade para comentarem. Um abraço nosso em cada um. Vamos lá...

"Pensamos em continuar a história do palhaço. Mas ele ganhará um livro especial, só dele e para vocês. A continuação não é segredo. Foi o melhor processo de escrita até hoje. Nunca me senti tão bem escrevendo um livro."
Léo, autor da obra

Livro: Loui, O Palhaço Medonho & Outros Contos
Conto: Luzes Acesas
Autor: Leonardo Otaciano & Matheuz Silva
Publicação: 2015
Editora: Agbook/Clube de Autores
Gênero: Ficção e contos brasileiros, horror
Páginas:  158


Sinopse: Coletânea que reúne 11 contos de horror escritos por Leonardo Otaciano e seu filho Matheuz Silva. Em destaque, em ''O Cemitério Perdido'', depois de uma festa sem graça, Kath, David, Taylor e Rich viajam de volta para casa por uma estrada escura e desconhecida na qual se perdem e encontram um homem que passa informações que os levam diretamente a um cemitério sombrio. Em ''O Blues Macabro'', outra história sinistra em que o seu psicológico é revirado, na Louisiana, na noite de 26 de maio de 1999, Jack viveu algo diferente quando saiu do Opala Souvenir mas a bebida não o deixou lembrar. Após um ano, os seus pesadelos e a existência de Laura, Isabela, o bebê e Divina, a mulher de vestido branco, o conturbavam. Quem seriam essas pessoas? Entenda o conto macabro sobre a vida de Jack. Já o conto principal, ''Loui, O Palhaço Medonho'', intitula a obra e arranca terríveis sensações de medo de Nícolas, Phil, Dan, Arnold e Nestor, garotos de Leopoldina, que conhecem a perversidade de um medonho palhaço.



Minas Gerais, Brasil, 1998
***

Era madrugada. Exatamente cinco para as três. Arnold fazia o que já estava acostumado há algum tempo. O canal de sua TV estava sem volume, no mudo, completamente sem som, enquanto as imagens transmitiam o seu desejo. Porra, que peitos são esses! Nossa! Os seus pais pareciam dormir, nem sonhavam que o filho estivesse acordado vendo cenas explícitas de sexo em seu quarto, trancado, debaixo de um lençol fino, altamente agitado. Talvez o seu pai até desconfiasse, talvez achasse bom que o menino fosse assim, afinal, eles fazem isso. Todos fazem, todos!
De repente, de fora da casa, foi possível ver a luz do quarto do garoto se acender.
As janelas brilharam, exibiram a claridade comumente vista em quase todas as madrugadas dentro de alguns cômodos da casa de Arnold. Se alguém espreitasse os seus atos saberia muito bem que agora a luz do corredor se acenderia também. E acendeu. Se ainda sim continuasse a espreitar as suas ações, saberia de verdade que a seguinte claridade viria da janela da sala agora. E assim foi, ela veio de lá. Quem fosse muito atraído pelos atos de Arnold, o gordinho de óculos, mal-educado e boca suja, que gostava de sacanagem, saberia muito bem que a luz da cozinha seria acesa em questão de segundos. Sim, a luz daquele cômodo agora estava aberrantemente acesa.
Em Leopoldina, naquela rua perto do Violeta Show – espécie de salão de dança noturna frequentadíssimo por mulheres bonitas e fáceis –, era certo haver outros que acendiam as suas luzes durante as madrugadas, mas eles não eram como Arnold, não mesmo.
O gorducho era sistemático, repetitivo, fiel aos seus atos e ações subsequentes, todos saberiam disso se o espreitassem. Não que isso fosse um problema, jamais, de maneira nenhuma, mas ele se tornaria um adulto daqueles que repetem os seus dias todos os dias. Arnold seria um dos gordos do BarBiz, aqueles que entopem a barriga de cerveja até as estufarem e depois caminham para as suas casas e se jogam em seus sofás com duas prostitutas que lhes trazem sexo por um preço camarada. Arnold se tornaria um desses, sim,  era certo. Mas os seus sonhos eram outros, pelo menos os mais próximos, os que ele tentaria realizar antes dos dezoito, como ver um show do AC/DC ao vivo, frente a frente com os caras da banda, bem lá do meio da plateia, junto com a galera, fedida de suor, pulando e repulando um ao lado do outro, gritando frases de roqueiros enlouquecidos tipo que banda foda, porra que jam, cacete isso é foda... Que música do cacete! e viva o rock porra!
Era isso que ele queria. Até foi pra cozinha cantarolando Highway To Hell num vacilo descontrolado depois da excitação. Que sede, que sede! Pensou quando chegou na cozinha. Na verdade era fome que ele sentia, todo gordo sente fome até de madrugada. Então pegou biscoitos no pote grande do armário e doce de amendoim na geladeira. E ele só bebeu água depois de todas essas comidas. E não há como esquecer o pão com manteiga em excesso que ele comeu logo depois de um gole de suco de laranja. Aí sim que ele pensou na água, na sede que imaginou que sentia antes de tudo isso.
O seu ritual de acender as luzes era por causa do medo. O gordo sonhava às vezes com bichos esquisitos, mas não eram sonhos frequentes, eram os comuns pesadelos que alguns garotos de quatorze anos têm. Como aqueles que surgem nos mais frouxos depois de um filme de terror. Ah Arnold! As luzes acesas não livram ninguém da morte, sabia?

***

Eram três e meia da manhã quando ele retornou para o quarto. O garoto ainda deu uma passada no banheiro para mijar. Nessas horas Arnold Ramon também tinha medo. Que gordo medroso!
Nas madrugadas ele não fechava a porta do banheiro quando ia mijar. Fecha a porra dessa porta Arnold, eu não quero ver esse teu pênis pequeno quando passar pelo corredor, o pai dele não gostou quando o viu da última vez na semana passada fazendo aquilo, se virando antes de dar as balançadas finais e exibindo aquela coisinha enquanto saía do banheiro. Claro, o garoto de cabelos arrepiados não pensava que alguém fosse passar pela porta naquela hora.
Mas ele não tinha culpa de sentir medo de espíritos famintos. Por isso ele acendia as luzes. Por isso deixava as portas abertas. Por isso só dormia coberto. E isto foi a primeira coisa que ele fez assim que se deitou novamente. Nem o final da canção de Red Hot Chili Peppers foi capaz de fazê-lo mudar de atitude e se agitar na cama curtindo a música antes de se cobrir. Mas a próxima canção da rádio que tocaria no seu radinho de pilhas estrategicamente colocado na cabeceira da cama por ele mesmo, o faria mexer os pés, as pernas, os braços, as mãos e a cabeça enquanto tocava.
Coincidentemente Highway To Hell ecoou. Ele achava aquela o máximo. Esqueceu dos calafrios que sentiu no banheiro pensando que lá existiam diabos. Distraiu-se até a metade da música quando o rádio começou a perder seu volume. 
— Ué, será que as pilhas acabaram? – falou enquanto pegava o objeto. Depois percebeu que o som havia diminuído, só isso! 
Ele tornou a aumentá-lo. Curtiu mais quarenta segundos e percebeu de novo que o som ia ficando mais baixo lentamente. 
— Que merda, essa porcaria deve tá com defeito!
Mas não, não estava. Ele, de novo, passou o dedo no volume lateral do pequeno rádio e tornou a aumentá-lo, nada exagerado. 
Agora a canção estava no refrão final, a parte que Arnold mais gostava.

I'm on the highway to hell
I'm on the highway
I'm on the (highway to hell)
I'm on the highway to hell (highway to hell)

De repente, o som parou, abrupto.
Mas dessa vez faltara luz.
Ele só percebeu por que era comum acontecer isso em dias de tempestade. Mas não estava chovendo, apenas ventava bastante. Muito forte. E as fracas luzes das outras casas que ficavam acesas ao longe também se apagaram. Por isso o velho amigo de Nícolas e Phil deduziu que havia faltado luz. E ele tinha medo da ausência de luz, ah não, logo na minha música preferida, e pra piorar a porta do quarto gemeu, ele sempre a deixava encostada quando não estava movimentando as suas mãos desesperadamente enquanto via TV.
— Mãe? É a senhora que está aí? – a voz já demonstrava pavor.
De repente, a porta gemeu de novo. Nhiiiiiiii... 
— Quem está aí? Pai, é o senhor? – Arnold ainda estava deitado e agora mais coberto do que nunca. Dos pés à cabeça. Certamente já suava. Um corpo quente frio, por causa do medo... Ah, aquele medo da ausência das luzes, quem diria, um gordo roqueiro, que escutava o bom e velho hard rock, que usava cabelos arrepiados ensopados de gel... quem diria que ele sentisse medo de escuro, um moleque tão machão!
Pra sua sorte a luz retornou.
O rádio ligou novamente. As luzes do seu quarto continuaram apagadas como antes estavam e a claridade das outras luzes lá fora continuaram a mandar alguns fechos de luz para o seu interior. Na porta, não havia ninguém. Foi só o vento!
Ele virou o pescoço na direção do rádio e pensou em diminuir o volume ou mudar a estação, mas viu enormes olhos arregalados ao lado da cabeceira da cama. E de repente, um sorriso grande também apareceu. O garoto não teve tempo de nada. Certamente a última coisa que viu foi um travesseiro indo depressa em direção ao rosto fazendo tudo ficar mais escuro. Arnold não era tão alto, talvez um metro e sessenta e três e pesava uns oitenta e nove ou noventa e cinco quilos. Podia até ter força para sair de lá, sim ele podia, mas fora pego de surpresa.
— Que gordo idiota, só serve pra pornôs... e ele tem medo do escuro. Que medroso! É uma bola de gordura ambulante que na verdade não serve pra nada – enquanto isso Arnold se debatia na cama –, o pequeno Nícolas é um menino corajoso, me enfrenta até hoje, mas você... Ah eu nem gostava de você mesmo, não vai fazer falta alguma! – e tudo havia terminado. Dessa vez não houve diálogo, o palhaço simplesmente o matou. OBRIGADO POR NOS SALVAR! AK12345 ESTE CÓDIGO DÁ DIREITO AO LIVRO.


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13 comentários:

  1. Eu adorei o livro e gostei muito desse conto!

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  2. Esse conto é maravilhosamente bem escrito, apesar da linguagem simples, é um conto muitíssimo bom, e os demais não ficam a dever nada em relação à esse aí. Fernando Nery tem toda a razão ao dizer que o livro é maravilhoso.Abraço Leonardo!

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    1. Valeu Luciano, obrigado pelo elogio.

      Abraço.

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  3. Conto excepcional. Quero um exemplar!

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    1. Fala Israel, valeu 'Neno', obrigado pela visita e interesse.

      Abraço.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Conto maravilhoso Léo Parabéns!!!O livro é totalmente MEDONHOOOO!!!

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  6. Muito bom, gostei de verdade do conto, realmente é uma linguagem mais simples, mas da mesma forma fácil de ser lida, sinceramente fiquei com "água na boca", preciso ler os outros contos. Parabéns Léo e ao seu filho também, dois talentos.
    Abracos!

    - Evandro Roldao

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  7. Valeu Evandro, obrigado pelos elogios. O livro é bem variado. Tenho certeza que você vai gostar.

    Matheuz agradece também. Valeu!

    Abraços.

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  8. Uauuu! Que maaravilha👏👏. Muito interessante!!❤

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    1. Que bom que despertou interesse, Geh. Fico feliz.

      Obrigado pela visita, você já é de casa, venha sempre que quiser, sempre bem-vinda.

      Obrigado, beijos.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd