domingo, 17 de janeiro de 2016

Resenhando: ''Jonas Vai Morrer'', de Edson Athayde, autor da Chiado Editora

Olá meus queridos amigos do Marcas Literárias, tudo bem com vocês? Bem, aqui estou eu para mais uma matéria exclusiva do blog em referência a minha parceria com a Chiado Editora. Na última semana de 2015, como já foi publicado aqui no blog, firmei com a editora a parceria, e na segunda semana de 2016 já estava com o livro ''Jonas Vai Morrer'' do autor Edson Athayde, em mãos. É sobre essa obra que vou comentar hoje. A partir de agora, a minha primeira análise de uma obra publicada pela Chiado e as minhas experiências e sensações ao ler o romance. 


Título: Jonas Vai Morrer
Autor: Edson Athayde
Publicação: 2014
Editora: Chiado
Gênero: Romance
Coleção: Viagens na Ficção
Páginas: 152


Sinopse: Um quase-policial de Edson Athayde. “Todas as novelas têm um novelo. Todos os crimes têm o seu repertório de culpas. Autores de folhetins, em específico, e criminosos, em geral, trapaceiam ao revelar sempre o que interessa, um truque para esconder o que importa. A dissimulação é o vento que sopra na vela desta galera, o combustível dessa nave. Entre se quiser, acomode-se num canto. A viagem não vai ser tranquila. Neste surpreendente romance quase tudo o que parece não é”.

(Prefácio de Luís Osório)

Romance escrito no âmbito de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. A história de “Jonas Vai Morrer” passa-se em Guimarães (ou Vimaranes, como era conhecida há mais de mil anos). Trata-se da mais histórica das cidades portuguesas, o chamado “berço do país”. Património Cultural da Humanidade, Guimarães foi, em 2012, Capital Europeia da Cultura. “Jonas Vai Morrer” foi escrito no âmbito de uma Residência Artística Literária desse evento. Além da trama cheia de mistérios e algum lirismo, esta obra revive nas suas páginas as ruas, praças, igrejas, bares, os tempos e os modos vimaranenses. Ambientado nos anos 80, “Jonas Vai Morrer” é um quase-policial, na definição do seu autor. Um livro que fala de crimes sem sangue à vista. Propõe um jogo onde a charada é descobrir quem é o algoz, quem é a vítima. Nesse labirinto, temos Pedro, um homem sem passado, o talvez louco 32, um caderno de memórias apócrifo e um enredo que nunca é o que parece ser.

A capa é linda. Adorei a arte produzida pela Chiado.

Turma literária, esta resenha vai ser um pouco diferente. Quero seguir o estilo do autor. Assim como ele, vou denotar a vocês logo nessas primeiras linhas, o que geralmente faço ao término da resenha. Vou deixar claro a minha sensação ao terminar de ler a obra do Edson Athayde, autor bem ousado que relatou ao leitor estampando na capa um dos principais acontecimentos de sua obra em vez de ocultar a morte do rapaz a tornando um dos pontos a ser revelado durante a novela. Afirmo que, os meus olhos ficaram esbugalhados por alguns momentos mas não por sentir arrepio ou medo, e sim grande emoção pelo imprevisto. Fiquei num estado descomunal que há tempos não sentia ao terminar de ler uma obra. O final é MEGA SURPREENDENTE, FANTÁSTICO.

Dúvidas e esclarecimentos no ar; o que será realidade e o que será apenas imaginação no meio deste romance praticamente policial? Que há um algoz todos já sabem, a sinopse deixa claro e o título já fazia imaginar antes de tudo esta hipotética realidade. Pensa-se na verdade, que tudo gira em torno deste algoz, e talvez até seja assim, mas passa-se também entre outras histórias desgarradas de personagens comuns e incomuns que compõe o labirinto do enredo. Mas, de quê exatamente Jonas morrerá? Ou como e em que momento isto acontecerá? No romance apresentado por Edson Athayde, percebe-se em vários momentos, os fracassados padrões e escolhas deles, personagens, que ainda sim, sentiam um tipo de amor por várias coisas, a cultura, a literatura e a vida até. Leitores com nível alto de interpretação perceberão facilmente que o autor não manipulou a história, isto ficou claro, ele deixou que a história fosse quem o levasse a escrever. 

Os capítulos são curtos, o que para alguns é um defeito ou problema mas o que para outros torna-se quase uma prioridade de leitura. Particularmente isso me agradou, fez a leitura ser maravilhosa, há tempos eu não lia um livro tão inspirador e sofisticado como este. Talvez seja falta de conduta minha, pronunciar a leve semelhança notada entre os estilos de enredo e escrita da obra com o livro ''Benjamin Litter''. escrito por minha pessoa e publicado em junho de 2015.

''Pedro despista a realidade com pequenas coisas do cotidiano, estabelecendo ritos complicados, ridículos e enfermos, assim, por essa ordem. A leitura matinal do caderno é apenas o mais novo. Senta-se, todos os dias, num banco do Jardim da Alameda, ao nascer do Sol, figura solitária numa praça ainda sem vida, dedicando-se a tentar perceber o que vai na alma daquele demente sem nome, conhecido apenas como o 32.''

Pedro, um dos personagens, pessoa daquelas anônimas, que se camufla entre a multidão, cheios de gestos rotineiros, que ao decorrer da novela mostra-se um irresistível curioso, evocou-me recordações de Benjamin Noah. A história, transitada diversas vezes nas ruelas de Guimarães, centro cultural de Portugal, com estilo histórico e fiscalizada pela aglomeração de pessoas dissemelhantes, compara-se em certos pontos ao romance social do reflexivo e desacreditado poeta brasileiro. Ainda comentando os personagens, com lindas citações e comparações feitas pelo próprio autor, acha-se Alice C., quase uma Capitu, dissimulada, com olhos de ressaca, "tão bonita, tão bonita'', de seios tão belos. Esbarra-se ainda com o 32, interno da Casa da Boa Esperança, possivelmente louco, indivíduo infeliz e demente cujo Pedro nem sabe o nome e H.H., escritor soberbo e prepotente que também fracassa antes mesmo do fim da novela.

Aos inícios dos capítulos e em bons trechos de todo o conteúdo, são reveladas partes do caderno de memórias ilegítimo que Pedro lê. A novela em si é muito louca, no seu mais afiado e inaudito sentido. O passeio pela vida dos envolvidos de forma separada é, no mínimo, inteligente demais. O estilo de Edson Athayde é um luxo, é belo, é primoroso.

A novela em si é muito louca, no seu mais afiado e inaudito sentido.
Tenho um fascínio por escritas desse estilo. Lembrei-me da minha juventude, onde várias vezes no ano, descia as escadas que ligavam a sala de aula ao pátio e sentava-me ao ar livre para ler às escondidas, ao canto da quadra de esportes. As leituras eram semelhantes, me faziam sentir-me um poeta vagante dono das ruas, com uma gula pelos livros de Eça de Queirós e um de seus influenciados, o grande Machado de Assis. Por ser carioca, senti-me, ao ler ''Jonas Vai Morrer'', às bordas das construções históricas do centro do Rio de Janeiro (local citado - talvez por propósito óbvio ou preferência pessoal, quem sabe - durante a obra de Edson Athayde, que se assemelha muito ao centro histórico de Portugal). As suas vielas, o seu movimento contínuo, os seus ares poluídos pelo som quase contínuo de vários Pedros, muitos 32 e iguais Alices C. e H.H.. Vivi em poucas horas a louca confusão entre o que realmente é o que só parece ser. Não sei se eu era um Pedro, um 32 ou um Jonas, mas a certeza é de que eu estava lá também.

''Hoje, o 32 parece mais calmo. Caminha, passos miúdos, meio sem rumo, pelo jardim do inverno. Às vezes, ele detém-se para relacionar-se com as flores (...) Qual será a idade do 32? Parece velho, mas isso pouco quer dizer.''

Dizer logo na capa do livro que Jonas vai morrer pode parecer idiota, uma perfeita estupidez, mas é neste ponto que o leitor se condena ao julgar precocemente o autor, que demonstrou na verdade, perspicácia e ousadia. Deve-se entender que em todas as novelas têm um novelo, que nada mais é do que as suas intrigas, reviravoltas, surpresas e labirintos. Sendo assim, tudo fará sentido ao final.

''Assassino é o executor de um. Matador é o carrasco de muitos. Deus é o algoz de todos.'' 
 ''Passaram-se horas ou dias? Há quase um silêncio no lugar. Pedro percebe que o despertar surgirá mais vivo, agora. Antes, um caleidoscópio de imagens. O apartamento da mulher. O sorriso desdentado. O roupão a revelar detalhes da sua feia anatomia (...) E depois... Nada. Um buraco, um vazio, o vácuo da memória.''

E antes de finalizar, palmas também para a Chiado Editora pois o material produzido é perfeito, causa encantamento. As folhas que separam os capítulos são negras, um charme excelso. O material é bem leve, leve mesmo, muito confortável de se manusear. A capa tem título em relevo e as folhas do miolo têm diagramação bastante charmosa. 

As capas que separam os capítulos são um charme total. Olhem isso!

''Jonas Vai Morrer'', livro de Edson Athayde publicado pela Chiado Editora merecia estourar o limite de 5 estrelas se fosse possível. Parabéns ao autor pelo talento, intelecção e desgarre. Adorei a leitura que fiz em poucas horas. Eu recomendo que adquiram e leiam o livro, vocês irão se surpreender. Para a Chiado Editora, ficam os meus singelos agradecimentos pelo envio da obra e os parabéns por esta maravilhosa façanha.



Para comprar o livro basta clicar aqui.

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Então é isso, um forte abraço e até breve.



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11 comentários:

  1. Bela resenha! Mas gostei mesmo da foto que tu tirou com o livro. Encantada kkkkkk Parabéns

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  2. Excelente resenha! O autor foi bastante ousado em logo de cara revelar um fato tão marcante, logo no título do livro. Abraço.

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    1. Realmente Luciano, te recomendo, você vai gostar.
      Abraço!

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    2. Realmente Luciano, te recomendo, você vai gostar.
      Abraço!

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  3. Leonardo Otaciano!!! Que resenha foi essa? Qualquer elogio que eu diga será pouco. Então só me resta uma palavra que se aproxima de tudo o que desejo dizer: PERFEIÇÃO.
    Não lembro de todos os títulos que solicitei para a CHIADO EDITORA. Mas eu terei que ler esse livro. Se não solicitei, vou comprar. Fiquei apaixonado!!!!
    Estou gostando de suas fotos. Elas ilustram bem a resenha!!!! Parabéns!!!!

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    1. Fernando, eu recomendo mesmo. Adorei a leitura. Muito obrigado pelos elogios, fico imensamente feliz.

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  4. Ótima resenha me interessei muito surpreendente!!!
    Parabéns!!!

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    1. Eu me surpreendi Luh, creio que quando vocês lerem também irão adorar.
      Obrigado.

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  5. Quero dizer que esse livro é simplesmente sensacional, a escrita do autor é profundamente sombria, instigante e poética o que me agradou e muito! Eu tive a sensação de estar lendo um livro dentro de um livro, eu nem consigo explicar direito, só lendo para entenderem o que eu estou falando. E sobre o final, posso dizer que foi genial. Abraço.

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    1. Show!!! Que bom que a resenha lhe instigou a leitura, melhor ainda que tenha sido agradável para você.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd