sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Resenhando: ''Estrela-de-rabo e outras histórias doidas'', obra de Nilma Lacerda

Olá amigo e amiga do Marcas Literárias, hoje quero compartilhar com vocês a experiência que tive ao ler o livro ''Estrela-de-rabo e outras histórias doidas'' da autora Nilma Lacerda. Talvez não seja um livro dos mais bem divulgados ou pretendidos pelos leitores, até por ser um livro curto com apenas 80 páginas, fato que não agrada a uma boa quantidade de leitores mas que pra mim não há problema nenhum, pois quando o autor é realmente talentoso ele consegue se expressar e passar a sua mensagem em apenas uma frase que seja! Tudo bem que fique aquela vontade de "quero mais", entretanto, é uma opção do autor não querer se prolongar e dizer coisas que não ache necessárias. Eu não tenho nenhum tipo de parceria com a autora ou com a editora cujo publicou o livro, mas achei a obra muito bonita e quero transmitir esta beleza a vocês. Então vamos lá...


Título: Estrela-de-rabo e outras histórias doidas
Autor: Nilma Lacerda
Publicação: 2005
Editora: Nova Fronteira
Gênero: Literatura Infanto Juvenil
Páginas: 80


Sinopse: O novo livro de Nilma Lacerda traz três contos, todos com foco na exclusão social. Em ''As paredes têm ouvidos'' somos apresentados a uma atordoante história, que se passa durante a época da escravidão. Os personagens centrais são Letícia, bela mulata, mucama preferida da casa da cidade, e Fausto, escravo forte, garimpeiro, que guarda um segredo: sabe ler, pois o Diabo o havia ensinado. Os dois se enamoram, e Fausto começa a ensinar a amada a ler também. E é a morte de Fausto que acaba desencadeando uma série de tragédias e, no final, redenção. ''Que história mais doida, essa!'' é a saga de Marquinhos, morador da favela de Vila Cruzeiro, que, durante um tiroteio, acaba entrando na casa de dona Ceiça, uma cigana. É a comovente história de um menino que vence as dificuldades e a dureza da vida, escapando da morte e encontrando uma paixão. Finalizando o livro, ''Estrela-de-rabo'', a bela história de um menino encontrado num lixão por aqueles que, mais tarde, se tornariam seus avós, Rode e Astolfo, moradores do lixão, batalhadores por natureza e donos de corações enormes.

Você já se deparou com alguma matéria no jornal sobre a exclusão social? Pois bem, é neste tema que Nilma Lacerda optou em trabalhar no livro ''Estrela-de-rabo e outras histórias doidas''. Os três contos compreendem um teor muito alto de ensinamentos aos jovens (público alvo). As histórias transmitem fatos bem reais vivenciados no nosso mundo. Foi interessante observar que, Nilma retratou com desvelo as questões abordadas. Em nenhum momento sequer eu duvidei dos fatos narrados de forma tão sublime por ela. A sua escrita foi muito bonita e habitual, estimulou a leitura do início ao fim.


Pessoalmente, me identifiquei bastante com o segundo conto que Nilma anexou à obra. O garoto da favela que de repente se viu no meio do tiroteio junto a seus amigos. A primeira porta aberta que viu pela frente saiu adentrando. A dona da casa, cigana, que resolveu então ler as cartas que Marquinhos pegou e jogou sobre a mesa quando entrou desesperado. Ah, mas ele nem imaginava o que a sorte lhe diria naquele dia, e de repente, nossa, não é que as cartas tinham razão? Ele teve mesmo é que dar um jeitinho de sair da enrrascada em que foi parar mais tarde.

Gostei muito do Marquinhos, um moleque muito alto-astral (apesar dos problemas que enfrentava em casa) e muito corajoso. Tenho certeza que muitos irão se identificar com esse garoto da Vila Cruzeiro. De forte expressão, de idéias próprias e de um bom coração. Mais tarde ele soube que tinha um talento guardado. E não é que deveria agradecer aos "envolvidos" do morro por isso? Interessante não é mesmo?

''Dona Ceiça veio lá de dentro arrastando as havaianas - parecia que estava num outro mundo, nem passava pela cabeça dela que do outro lado da parede, do outro lado da porta, era a luta, a guerra, polícia e Movimento matando e morrendo.''

''Um bando de moleques do meu tamanho, lá fora, tudo meu companheiro do outro dia, hoje de arma na mão, mandando no caminho da vida, fazendo o caminho da morte.''

Assim como a dura realidade mostrada neste conto repleto de lições, o seguinte, que intitula o livro, também é tocante, e para muitos ainda é realidade. A vida no lixão narrada por Johnyston, menino de treze anos, de uma difícil realidade de sobrevivência, mostra a falta de sensibilidade das autoridades do nosso amado país. Mas como o ser humano é capaz de se superar, luta que nem louco e consegue vencer os obstáculos, o menino que cata lata, cata plástico, cata papelão e cobre, que vira a noite encurvado fazendo o trabalho de macho, aprendeu a gostar e valorizar o esforço em cada dia no lixão. A vó Rode e o vô Astolfo, personagens tão legítimos disso tudo, amavam o filho de estrela que tinham. O conto é lindo!

''Todo mundo sabe que eu trabalho depois da escola. Não dou muita explicação, digo só: meu serviço é com reciclagem. Sempre tem curioso que quer saber mais do que aquilo que se diz, então eu digo que não é trabalho de maricas. Se for uma garota curiosa, eu falo que é trabalho de macho, ela quer experimentar?''

''O dia que achei a bandeira foi uma festa. Ela estava desbotada, um pouco respingada em alguns cantos, mas era a bandeira da gente. Vó Rode se indignou: bandeira não é pra botar no lixo, quando ela tá velha é pra queimar como coisa sagrada. Lavamos a bandeira, arrumamos um mastro pra ela, nos dias de sol a gente pendura sempre na frente da barraca.''

Classificado como literatura infanto juvenil, o livro certamente deve ser distribuído em escolas públicas e trabalhado com jovens estudantes. Se ainda não fizeram isto, é bom que façam. Nossas crianças e adolescentes precisam disso. É uma ótima ajuda para a formação destes que sempre encontram pela vida, as barreiras que muitas vezes os fazem desviar do caminho certo a seguir. 

Talvez, o primeiro conto da obra não seja compreendido muito bem por alguns leitores mais jovens, mesmo sendo um bom conto que retrata o esforço de Fausto em aprender a ler. Ele dizia que o Diabo foi quem o ensinara e desta forma, ajudou também a bela mulata por quem se apaixonou. A narrativa é um pouco mais sofisticada.

''Não deu a ninguém o prazer ou o terror de um olhar que implorasse pela vida, não deixou que ninguém visse as luzes que se apagava nos olhos mortiços.''

Sobre a capa, é bem simples e representativa ao título, mas confesso que não me agradou. Cairia muito bem em alguma história de fantasia, mas para os eventos do livro onde se abrange alertas principalmente para os mais jovens, seria mais acentuado usar uma gravura mais séria e real que impressionasse de outra forma.


A obra me agradou. Foi uma leitura rápida e marcante. Nilma conseguiu de forma bonita, mesmo usando temas de certa forma pesados, transmitir sua mensagem. Sou apaixonado pela literatura infanto juvenil e quando o livro traz ao leitor, além de toda a fantasia que as histórias oferecem, um alerta positivo a juventude, me arranca sorrisos de admiração. ''Estrela-de-rabo e outras histórias doidas'' merece 4 estrelas. Realmente uma obra muito recomendável. Os nossos filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, netos e netas e jovens em geral, precisam conhecer a obra. Faça isso, indique-a, você estará ajudando indiretamente a outros também.



Então é isso, vou ficando por aqui e em breve mais novidades no Marcas Literárias.

Abraços.

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4 comentários:

  1. Esse livro de fato proporciona uma boa leitura! Principalmente para a molecada que em geral não quer nada, somente diversão. Excelente dica de leitura .Abraço.

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  2. Verdade Luciano.
    Obrigado pelo comentário. Abraços.

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  3. Livro muito interessante, adorei saber que para nosso pequenos.
    Parabéns pela resenha.

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  4. Obrigado Luh, é uma boa recomendação sim. Beijos e obrigado pela visita.

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