segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Texto: 5 obras em uma só em apenas 5 parágrafos

Olá amigos, eu estava de bobeira hoje aqui em casa e decidi fazer uma brincadeira literária, UNIR TRECHOS DAS MINHAS QUATRO OBRAS PUBLICADAS FORMANDO ASSIM UM ÚNICO TEXTO.

Todas as obras são de estilos diferentes, de início eu pensei que não daria certo, mas até que ficou bem legal. Os trechos foram retirados das obras ''O Eterno Menino'' (Literatura infanto juvenil - Drama), ''Gabriel, a Ladeira, o Pimenta'' (Literatura infanto juvenil - sátira, comédia), ''Mistério na Casa da Rua Severin - Volume 1'' (Contos nacionais - Suspense, terror) e ''Benjamin Litter'' (Romance social).

Bem, sem mais enrolação, vamos conferir então a união de alguns trechos das minhas obras formando um único texto aqui nomeado de ''AOS PÉS DAS MINHAS LETRAS''.


         Cheguei na escola atrasado. Tive que subir as escadas e andar apressadamente pelo corredor. Era fevereiro, sol forte, escola nova. Entrei na sala e repentinamente todos me olharam. Fiquei aflito em ver todos os alunos interagindo. A imensa balbúrdia na sala me passou a ideia de que eles já se conheciam de outros carnavais. Quando crianças, não tínhamos noção alguma de tempo. Quanta saudade! Mas a gente não vive só de coisas boas, minha mãe costuma dizer que quando a situação tá boa demais os anjos desconfiam. Por certo este ditado está trocado, mas ela é assim mesmo, vive inventando SEUS BORDÕES.
       A manhã estava chata e tediosa, era uma repetição de todas as outras manhãs escolares dos anos passados e ouvir as expressões do Antônio Paleiro não me agradariam de novo. Fiquei bestificado, o desejo de ir embora voltou a preencher o meu vazio estranho, aquele, que desde criança era alimentado apenas com as revistinhas sobre fantasmas. Os minutos pararam! Fui suspenso da escola pela agressão que gerou a maior aventura da minha tímida vida. Quebrei o nariz de um dos alunos no segundo dia de aula e nunca me arrependi disto...
        Consegui uma suspensão de duas semanas. A notícia chegou rapidamente lá em casa e antes mesmo de eu colocar os pés na grama do quintal, já pude ouvir os reclames do meu pai. O cara da oficina se irritou comigo, trouxe na mão um pedaço de madeira, na correria eu nem sei se era uma vassoura ou um cabo de enxada, mas coitado dele se me acertasse com aquilo, sofreria as consequências como um cão. O homem tinha cara de ''BEBUM'' e seus cabelos e barba estavam grandes demais. O gosto na boca ainda era o da maldita bebida e nem mesmo o bafo quente de Rudolf — o cão — haveria de fazê-lo parar de sentir a amargura no céu da boca. Depois disto, fugi e me acalmei. Ouvi a voz mais branda de todas as que eu já escutara até aquele dia. A entonação era perfeita e o movimento dos lábios da dona da fala, roubaram, por milésimos de segundos, a minha atenção.
           Ainda na manhã daquele dia, debaixo da sombra de uma grande imbuia que ficava do outro lado da rua, comecei a tentar acostumar-me com o lugar que eu passaria o restante daquele verão. ''Todos os seus dias foram repetitivos. Desgraçados e repetitivos. Era mais fácil eu ir ao casamento de Conceição do que viver algum romance com ela.'' Dentro de mim uma sensação de revolta me perturbava. Me levantei. Andei até a metade da ladeira empurrando a Rubro Negra. Da metade pra baixo eu deixei aquilo que me perturbava me agarrar de uma forma que eu não pude controlar. Queria sentir a SENSAÇÃO DA LIBERDADE. Montei na bicicleta, segurei firme os guidões, fechei os olhos e nem precisei pedalar. O vento batia forte no meu rosto deixando o calor de cem graus pra trás. Algumas vozes diziam ''não faça isso menino'' mas mesmo assim eu seguia descendo. Foram quase trinta segundos de liberdade.
         Minutos depois, uma leve ventania passava de um lado para o outro. Eu senti quando os meus cabelos se moveram e ouvi o fraco chilreio das aves. O medo de fantasmas ia me deixando lentamente e tudo o que se passara começava a virar apenas um passado recente. Aquilo tudo era um aprendizado. A vida é para ser vivida de maneira sólida e desistir antes de tentar é uma grande idiotice. Tudo aquilo que é bom devemos guardar para sempre, é possível ir em frente, ficar parado ou voltar atrás, quem decide é você. Podemos ser meros desconhecidos mas conhecemos os nossos próprios talentos.



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6 comentários:

  1. Nossa Léo, o texto ficou show com toda essa mistureba toda aí! Tu é demais.

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  2. Parabéns Léo, ficou fantástico, não vejo a hora de poder ler esta obra que parece ser magnifica.

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  3. Parabéns Léo, ficou fantástico, não vejo a hora de poder ler esta obra que parece ser magnifica.

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    1. Gostou Gabriel? Que bom!

      É a junção de vários trechos de todas as minhas obras.

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  4. Muito bom,seu talento é maravilhoso.Parabéns.

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