terça-feira, 17 de setembro de 2013

Texto: Um amigo que se foi

Olá, hoje fazem exatamente treze anos que meu amigo de infância Daniel Silva, ''Sony'', deixou de nos acompanhar nessa incrível jornada da vida. Na minha obra ''O Eterno Menino'', lançada em abril, há um capítulo especial que aborda curtamente os efeitos da droga em alguém. Saudades meu amigo! 



 ''O Eterno Menino, capítulo 13, contagem regressiva''

Tem extrema importância contar o caso de um amigo que se perdeu semelhante ao Batata. Perdeu-se dentro de si próprio. Perdeu os amigos e a família. Perdeu o tato, o olfato, o paladar, a visão e a audição. Não perdeu apenas os sentidos, perdeu o que cada ser humano tem de valioso. Perdeu a sua vida.

— Eu já disse que não quero cara!
— Vai Léo, só um pouco, ninguém precisa saber.
— Eu já disse que não pô!
— Tu vai vacilar mermo é?
— Cara, para com isso, não faz isso, não vai ter volta!
— Não começa não! Já vai começar a falar boiolagem é?
— Boiolagem? Então é boiolagem tentar te ajudar?
— Ah Otaciano, nada a vê pô!
— Cara me larga eu vou embora.
— Não Otácio, fica aí cacete! Eu sei que tu vai gostar.
— Sony, me deixa, você tá me machucando.
— Tá bom então mané, vai lá, mas não me procura mais, tá?
— Tá bom então!
— Tchau vacilão, perdeu teu amigo.

A sensação de não poder ajudá-lo era terrível, mas a gente tentou! Daniel Silva, ''Sony'', morreu aos treze anos, numa sexta-feira, três dias depois desse meu diálogo com ele. Foi baleado com um tiro na cabeça após uma discussão com outro menino. Estavam fora de si, completamente drogados. O autor do disparo fugiu mas foi pego um dia depois. O corpo de Sony foi encontrado no mesmo dia, à noite. Tinha pai, mãe e um irmão de dez anos. Tinha o sonho de ser jogador de futebol. Era um garoto bonito, brincalhão e sorridente. Na gente, deixou saudades eternas e lágrimas ao lembrá-lo.

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